Reformas para enfrentar a crise


A economia brasileira, depois de uma longa e pesada recessão que teve início no governo de Dilma Rousseff, deu alguns sinais de que estava se recuperando e saindo da crise. O desemprego parou de aumentar e a renda das famílias e o consumo voltaram a crescer.

A aprovação da reforma da previdência e de alguns projetos como a Lei da Liberdade Econômica sinalizou para uma desburocratização da atividade econômica e redução do peso do Estado, que são fundamentais para quem quer empreender. A queda de juros e o aumento do acesso ao crédito ajudaram a pintar o quadro positivo verificado pelo comércio no fim de ano.

O crescimento de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019, embora menor do que o desejável, foi a última notícia positiva. O crescimento não foi maior principalmente pela retração de 3,3% nos investimentos. Já o consumo das famílias, que é o principal motor da economia aqui em nossa Belo Horizonte, aumentou 1,8%.

Nesta semana, o pessimismo com a economia cresceu, agora com uma forte influência externa. Na última segunda-feira (9 de março), os mercados brasileiros abriram em forte queda e o dólar voltou a disparar, refletindo a crise que se espalha pelo mundo graças ao coronavírus e à disputa entre Arábia Saudita e Rússia em torno do petróleo.

Esse cenário internacional turbulento trará impactos relevantes e inevitáveis ao Brasil, pois não há sinais de que os dois fatores serão resolvidos a curto prazo. E ainda há o risco de que a epidemia de coronavírus se espalhe no país. Se a economia já tinha crescimento modesto com um cenário externo positivo, causa preocupação o que pode acontecer agora.

A situação é difícil, mas não é momento para pânico nem para medidas extremas do governo de Jair Bolsonaro. Sua equipe econômica, liderada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, é capacitada e experiente para levar o navio da economia brasileira a porto seguro.

Esse cenário, porém, deve servir de alerta aos Poderes sobre a necessidade de reformas que simplifiquem a economia, permitam a retomada do crescimento e dos empregos e torne a economia brasileira menos vulnerável a contratempos internacionais.

Os momentos de dificuldade exigem dos homens público diálogo e busca de consenso, no lugar de de confronto e acirramento. O país precisa estar sempre acima de interesses pessoais.

Em uma hora de turbulência internacional como essa, cabe ao Executivo e ao Legislativo, com apoio do Judiciário e da sociedade civil, se unirem pelas reformas essenciais que minimizem os impactos negativos para os brasileiros no curto prazo e garantam um futuro de oportunidades. Caso da administrativa e da tributária, fundamental para facilitar o consumo e o empreendedorismo, além do pacote de privatizações para atrair investimento externo. O Brasil não pode perder mais uma década.

E a sociedade civil, por meio de suas entidades representativas, têm que participar desse processo. A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) apoia as reformas e as medidas necessárias para a retomada econômica. A entidade irá promover debates sobre essas reformas, ouvir sugestões de seus filiados e levar os pontos principais aos parlamentares de Minas Gerais.

O setor de comércio e serviços é o principal motor da economia de Belo Horizonte e precisa dessas reformas para retomar sua pujança. Por isso, daremos nosso apoio integral a todas as iniciativas que auxiliem na recuperação econômica. Quando o comércio vai bem, a cidade, o Estado e o país vão bem. É isso que todos nós queremos.

Marcelo de Souza e Silva / presidente da CDL/BH

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